Como trabalhar com fotografia documental e publicar na National Geographic

Um dos blogs que sempre acompanho é o da National Geographic Brasil. Há alguns posts atrás eu havia deixado a dica para acessar este site, deixando algumas informações do dia-a-dia durante uma expedição. Hoje, volto a comentar sobre este ninho de informações e curiosidades de extrema importância para os amantes e também para os apreciadores de fotografia, aventura e natureza.

No artigo abaixo, retirada na íntegra do Blog da NatGeo, Izan Petterle, um dos fotógrafos da famosa revista, fala de forma clara, sensata, objetiva e realista sobre a paixão que envolve a fotografia, uma visão para o crescimento futuro e algumas dicas de como conseguir que uma foto sua seja publicada em uma das edições da revista mais famosa do mundo.

Acredito que a melhor maneira de viabilizar uma carreira em fotografia documental é ter uma outra atividade econômica que permita custear a primeira fase da formação profissional. Esse  período pode durar pelo menos uns 10 anos, digo isso pela minha própria experiência. O chamado “mercado” de fotografia é ingrato e cruel, como dizem no interior do país, “é uma briga de foice no escuro.” São pequenos trabalhos mal remunerados que dificilmente levam o profissional a um patamar mais elevado na arte fotográfica. Em primeiro lugar, deve-se fotografar para si mesmo e ninguém vai pagar por isso.

A mágica acontece atrás da câmera, o que interessa é desenvolver um olhar apurado. Mas com o tempo, nessa época de competição global, o ideal é ter um equipamento top de linha. Isso não transforma ninguém em melhor fotógrafo, apenas é uma ferramenta a mais na busca por um aprimoramento profissional.

A compra de boas câmeras, lentes, computadores e softwares é sempre um investimento alto, muito alto, talvez o preço de um bom carro zero km. Por várias vezes, no decorrer de uma década, vendi meus carros para comprar os melhores equipamentos possíveis. Para mim valeu a pena ficar a pé, ou com carro velho nesse período. Como em qualquer outro negócio, a pessoa tem que estar disposta a investir na sua atividade e o retorno pode ser longo, certamente mais longo do que em outros tipos de empreendimentos comerciais. É preciso estar preparado para passar por isso para ser bem sucedido.

Também é muito importante investir em formação profissional, pode ser faculdade e/ou bons cursos e workshops com profissionais renomados. Essa pode ser uma maneira de encurtar  e acelerar o aprendizado na profissão, inclusive, se for possível, até mesmo estudar no exterior. Fotografia é um estilo de vida, muito mais do que somente uma profissão. Esse processo leva tempo e pode ter um preço alto em termos de padrão material de conforto, especialmente se houverem questões familiares envolvidas.

Uma vez dito isso, vou dar algumas orientações de como pode ser possível publicar na National Geographic Brasil. A revista é aberta para qualquer que tenha um bom trabalho e que apresente um tema de interesse para publicação. Deve-se conhecer muito bem a linha editorial do que é publicado, procurar no arquivo as matérias já divulgadas. Não adianta ter um material muito bom se ele não for original.

O primeiro passo consiste em dedicar-se a projeto pessoal de documentação de assuntos que venham interessar aos editores. Bancar-se durante essa oportunidade e fazer uma edição de imagens consistentes, que conte uma boa história. Feito isso, pode-se pensar em apresentar o ensaio para avaliação do editor senior, Ronaldo Ribeiro. Sempre entre em contato primeiro por e-mail e veja se existe interesse na proposta. Em caso positivo, pergunte qual seria a melhor data e horário para fazer uma visita, editores estão sempre muito atarefados.

Desejo uma boa sorte a todos, fico muito entusiasmado quando vejo novas revelações nessa área. Pode parecer muito óbvio e banal o que eu vou dizer: vale a pena acreditar em nossos sonhos, essa é matéria prima do nosso trabalho. Ansel Adans falou o seguinte: “Algumas pessoas ganham a vida com a fotografia, para outros a fotografia lhes dá a vida…”

Ivan Petterle

Izan Petterle é um dos mais regulares colaboradores da revista National Geographic Brasil. Fotografa desde 1975 e colabora com importantes revistas de fotografia documental do exterior.

Texto publicado no site da National Geographic Brasil, por Izan Petterle e publicado na íntegra neste blog, sob autorização do mesmo. Confira o Blog dos Fótografos da National Geographic e saiba mais sobre o trabalho do Izan e dos demais fotógrafos.

Veja Também: O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Um dos blogs que sempre acompanho é o da National Geographic Brasil. Há alguns posts atrás eu havia deixado a dica para acessar este site, deixando algumas informações do dia-a-dia durante uma expedição. Hoje, volto a comentar sobre este ninho de informações e curiosidades de extrema importância para os amantes e também para os apreciadores de fotografia, aventura e natureza.

No texto abaixo, retirada na íntegra do Blog, Izan Petterle, um dos fotógrafos da famosa revista, fala de forma clara, sensata, objetiva e realista sobre a paixão que envolve a fotografia, uma visão para o crescimento futuro e algumas dicas de como conseguir que uma foto sua seja publicada em uma das edições da revista mais famosa do mundo.

Acredito que a melhor maneira de viabilizar uma carreira em fotografia documental é ter uma outra atividade econômica que permita custear a primeira fase da formação profissional. Esse  período pode durar pelo menos uns 10 anos, digo isso pela minha própria experiência. O chamado “mercado” de fotografia é ingrato e cruel, como dizem no interior do país, “é uma briga de foice no escuro.” São pequenos trabalhos mal remunerados que dificilmente levam o profissional a um patamar mais elevado na arte fotográfica. Em primeiro lugar, deve-se fotografar para si mesmo e ninguém vai pagar por isso.

A mágica acontece atrás da câmera, o que interessa é desenvolver um olhar apurado. Mas com o tempo, nessa época de competição global, o ideal é ter um equipamento top de linha. Isso não transforma ninguém em melhor fotógrafo, apenas é uma ferramenta a mais na busca por um aprimoramento profissional.

A compra de boas câmeras, lentes, computadores e softwares é sempre um investimento alto, muito alto, talvez o preço de um bom carro zero km. Por várias vezes, no decorrer de uma década, vendi meus carros para comprar os melhores equipamentos possíveis. Para mim valeu a pena ficar a pé, ou com carro velho nesse período. Como em qualquer outro negócio, a pessoa tem que estar disposta a investir na sua atividade e o retorno pode ser longo, certamente mais longo do que em outros tipos de empreendimentos comerciais. É preciso estar preparado para passar por isso para ser bem sucedido.

Também é muito importante investir em formação profissional, pode ser faculdade e/ou bons cursos e workshops com profissionais renomados. Essa pode ser uma maneira de encurtar  e acelerar o aprendizado na profissão, inclusive, se for possível, até mesmo estudar no exterior. Fotografia é um estilo de vida, muito mais do que somente uma profissão. Esse processo leva tempo e pode ter um preço alto em termos de padrão material de conforto, especialmente se houverem questões familiares envolvidas.

Uma vez dito isso, vou dar algumas orientações de como pode ser possível publicar na National Geographic Brasil. A revista é aberta para qualquer que tenha um bom trabalho e que apresente um tema de interesse para publicação. Deve-se conhecer muito bem a linha editorial do que é publicado, procurar no arquivo as matérias já divulgadas. Não adianta ter um material muito bom se ele não for original.

O primeiro passo consiste em dedicar-se a projeto pessoal de documentação de assuntos que venham interessar aos editores. Bancar-se durante essa oportunidade e fazer uma edição de imagens consistentes, que conte uma boa história. Feito isso, pode-se pensar em apresentar o ensaio para avaliação do editor senior, Ronaldo Ribeiro. Sempre entre em contato primeiro por e-mail e veja se existe interesse na proposta. Em caso positivo, pergunte qual seria a melhor data e horário para fazer uma visita, editores estão sempre muito atarefados.

Desejo uma boa sorte a todos, fico muito entusiasmado quando vejo novas revelações nessa área. Pode parecer muito óbvio e banal o que eu vou dizer: vale a pena acreditar em nossos sonhos, essa é matéria prima do nosso trabalho. Ansel Adans falou o seguinte: “Algumas pessoas ganham a vida com a fotografia, para outros a fotografia lhes dá a vida…”

Ivan Petterle

Ivan Petterle

Izan Petterle é um dos mais regulares colaboradores da revista National Geographic Brasil. Fotografa desde 1975 e colabora com importantes revistas de fotografia documental do exterior.

Texto publicado no site da National Geographic Brasil, por Izan Petterle e publicado na íntegra neste blog, sob autorização do mesmo. Confira o Blog dos Fótografos da National Geographic e saiba mais sobre o trabalho do Ivan e dos demais fotógrafos.

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